TAPIRAPE FM

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Bloqueio em rodovia de MT contra desocupação de terra entra no 3º dia

Produtores rurais e moradores da comunidade de Posto da Mata, em Alto Boa Vista, a 1.064 quilômetros de Cuiabá, mantêm o bloqueio na BR-158 nesta quarta-feira (5). De acordo com a Associação de Produtores Rurais da Gleba Suiá Missú, os manifestantes aguardam uma reunião com um representante do governo federal para tratar da decisão judicial que determinou a retirada de cerca de sete mil famílias da terra indígena Marãiwatsédé. A previsão é que essa reunião fosse realizada na tarde desta quarta-feira.

”Vamos ouvir o que ele tem a propor, mas enquanto a decisão que determinou a retirada não for suspensa vamos manter o bloqueio”, disse um produtor da região. Por determinação da Justiça Federal, os moradores devem deixar o local até o dia 1º de outubro deste ano. No entanto, os moradores defendem que os indígenas aceitem a proposta do governo estadual quanto a uma área de maior extensão no Parque Estadual do Araguaia e em troca desistam da Marãiwatsédé.

Com o tráfego de veículos impedido, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Barra do Garças permanece no local do protesto para orientar os motoristas sobre a interdição. No entanto, segundo a PRF, não existem rotas alternativas na região. Os motoristas só podem desviar por estradas que passam por dentro de fazendas. Os manifestantes estão liberando apenas a passagem para ambulâncias e carros de funerárias.

Em 2010, a Justiça reconheceu a terra como sendo dos índios xavantes. Na época, a maioria do Pleno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região entendeu que os ocupantes não índios não têm direito à terra por se tratarem de ”meros invasores da área, inexistindo possibilidade de ajuizamento de ação indenizatória”. Em outra decisão de junho de 2011, o TRF garantiu a permanência dos não índios na área. Porém, em junho deste ano uma nova decisão revogou a anterior do mesmo tribunal, autorizando a retirada dos ocupantes não índios.


Do G1 MT
 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Vereador, candidato a vice é encontrado morto

Vereador Jacinto Pedro Marcon, 53 anos, candidato a vice-prefeito em Nova Guarita ( a 667 km de Cuiabá) foi encontrado morto em seu sítio, com uma corda enrolada ao pescoço e outra ponta pendurada na cerca do curral, onde fica o gado. A Polícia Militar confirma a morte. 

Marcon foi visto pela última vez na manhã do dia 30. Familiares estranharam a demora de ele retornar para casa. A polícia foi acionada. Sua moto foi encontrada em um rio, a cerca de 4 km do local de onde estava o seu corpo. Uma pessoa que foi ao sítio e encontrou o vereador morto no final da tarde. 

"Inicialmente, estamos investigando hipótese de suicídio. No local não havia indícios que ele teria sido assassinado. Fomos informados por um familiar que Jacinto estaria passando tratamento contra depressão” informou o soldado Marcio Ferreira. 

Filiado ao PT, Jacinto Marcon presidia o diretório municipal e estava no terceiro mandato. Ele era casado e tinha filhos. O corpo dele está sendo velado na Câmara de Nova Guarita. Ainda não há o horário do sepultamento.

A coligação Frente de Continuidade por Nova Guarita deve pedir, nos próximos dias, para a Justiça Eleitoral, substituição de candidatura para escolher novo candidato a vice-prefeito.

Nessas eleições, este não é o primeiro caso de morte de candidatos. No último dia 12, em Várzea Grande, O mototaxista  e candidato a vereador Lázaro Pinto de Miranda, conhecido como “Pingo” do PSDC, de 32 anos, pode ter se matado ao terminar relacionamento com uma namorada. 

Também apresentado quadro depressivo, Lázaro foi levado pela mãe para ser medicado em um hospital psiquiátrico, após um surto. Ele se jogou em abaixo de uma carreta que uma carreta passava pela Avenida Filinto Muller. Segundo testemunhas, o mototaxista se abaixou, e foi se arrastando até a roda da carreta para que sua cabeça fosse esmagada. O motorista não conseguiu frear a tempo.

 

Rodovias BR 158 e MT 242 estão bloqueadas no Posto da Mata; o trânsito está impedido em todas as direções



A Br. 158 foi fechada novamente e meia noite desta segunda-feira 03 de setembro no distrito de Estrela do Araguaia (Posto da Mata) no cruzamento da MT 242, o trânsito está bloqueado em todos os sentidos.
O bloqueio está sendo realizado por tempo indeterminado por produtores até que sejam resolvidos os problemas das mais de 7.000 pessoas que terão que deixar a área da Fazenda Suiá Missu que foi demarcada como área indígena de Marãiwatsédé.
A segunda vez que a bloqueio em rodovias na região, no mês de junho aconteceu o bloqueio apenas da BR158 agora a passagem está interrompida também na MT 242 no perímetro urbano do distrito.
Os produtores rurais e toda a população só poderão permanecer na área de 165 mil hectares a até 01 de outubro atendendo a decisão Judicial.
Segundo informações do diário de Cuiabá na edição de 01 de setembro cerca de 130 xavantes contrários à demarcação da terra indígena Marãiwatsede ameaçavam interditar mais uma vez a BR-158, na região de Alto Boa Vista (distante 1.065 km de Cuiabá). Eles protocolaram junto à Presidência da República um pedido de suspensão do decreto que delimita a área.
O grupo afirma que a verdadeira aldeia fica a 70 km de distância do local apontado pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), nas proximidades do Rio Xavantinho. >>>
Também na sexta-feira 31 de agosto a assessoria jurídica da  Associação dos Produtores Rurais da Gleba Suia Missú ( APROSUM) ingressaram com um recurso. Eles requereram a reconsideração da decisão da Justiça Federal que determinou, para 1º de outubro, o início da desintrusão da área de 165 mil hectares.
No mesmo dia, o governador Silval Barbosa (PMDB) criticou a iniciativa da FUNAI em demarcar a área sem levar em consideração a opinião do governo do Estado e avisou que não vai intervir para auxiliar na retirada das quase seis mil famílias que vivem na região, segundo a APROSUM.
“Quando você vai mexer com a vida das pessoas, tem que ouvir essa comunidade ou o representante delas que, neste caso, é o Estado. Mas quando há instabilidade ou conflito é que o governo é procurado. Na Suia Missú, se houver conflito não adianta pedir polícia para Mato Grosso. Eu não vou ceder. Não vou colocar polícia para resolver uma questão que eu entendo poder ser solucionada com bom senso”.
O bloqueio é a única “arma” para chamar atenção das autoridades e certamente permanecerá até o julgamento dos recursos.
“Vamos ficar mobilizados até que resolva a nossa situação” disse um produtor ao Água Boa News. Na madrugada em meio à escuridão um caminhão de indígenas aposentados chega ao local do bloqueio e houve início de tumulto.
Segundo informações apuradas por Água Boa News através dos índios xavantes da aldeia Marãwatsédé  um grupo de índios iam em um caminhão na madrugada para São Félix do Araguaia para receberem aposentadoria e encontraram as rodovias bloqueadas e  retornaram para a Aldeia. De ambos os lados todos ficaram assustados, porém não houve conflito.
Processo de retirada já em execução
O processo de retirada dos não-índios da região conhecida como Gleba Suiá Missú já teve início. Técnicos da FUNAI trabalham na instalação de uma base de operação no Posto da Mata, distrito de Alto Boa Vista, onde está localizada a maior parte das pessoas que deverão deixar suas propriedades.
No local, também já estão funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que atuam no combate a crimes ambientais, em especial incêndios, e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que teria como principal objetivo manter a rodovia livre.
Esta é a segunda vez que a BR-158 é alvo de protestos motivados pela retirada dos produtores da gleba. Em junho, posseiros e índios contrários à demarcação já fecharam a rodovia por uma semana..
À época, Alto Boa Vista foi a cidade mais afetada e chegou a ter situação de emergência decretada. O município ficou ilhado e acabou desabastecido de alimentos, água e combustível.


Escrito por Kassu / Água Boa News    

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