quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Após 67 dias, professores de MT aceitam proposta e suspendem greve

Foto: Carolina Holland/G1
A greve dos trabalhadores da rede estadual de ensino de Mato Grosso foi suspensa nesta quinta-feira (17), após 67 dias de paralisação. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada durante a tarde na Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá, e foi bastante comemorada pela categoria. Os profissionais aceitaram a nova proposta do governo, feita na terça-feira (15), um dia depois do Ministério Público intermediar reunião entre a Secretaria de Educação (Seduc) e o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT).
Os profissionais pediam que o poder de compra da categoria fosse dobrado em sete anos, pagamento da hora-atividade dos professores contratados de forma temporária, melhorias nas escolas e repasse de 35% do orçamento do estado para o setor da educação.

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Por conta de determinação inicial do governador Silval Barbosa de que o estado não negociaria com a categoria em greve, a primeira proposta foi apresentada somente 38 dias após o início da paralisação. E o calendário apresentado pelo executivo estadual naquela oportunidade para atender as reivindicações não agradou aos grevistas.
O estado propôs aumento de 100% do salário em 10 anos, com início em maio do próximo ano, e pagamento da hora-atividade em três anos. O Sintep recusou, alegando que queria o reajuste ainda em 2013 e a hora-atividade em parcela única. Após três recusas consecutivas da mesma proposta, o governo mudou o discurso e resolveu ceder: pelo novo acordo, o aumento deve começar a ser pago em março de 2014. A hora-atividade, no entanto, vai ser paga em três vezes, mas com percentuais diferentes dos que foram apresentados anteriormente.
Porém, antes de apresentar acordo diferente dos anteriores, o governo tentou outros meios para colocar fim à paralisação, como cortar o ponto dos trabalhadores. Outras tentativas foram feitas via judicial. Atendendo a pedido do estado, a greve foi declarada abusiva pelo desembargador Marcos Machado, que determinou o retorno dos profissionais ao trabalho. A desembargadora Maria Erotides Baranjak também mandou que eles encerrassem o movimento, mas nenhuma decisão foi cumprida.
Ainda durante a greve, e em meio à crise, o secretário de Educação Ságuas Moraes deixou a comando da pasta para assumir uma vaga na Câmara Federal, no lugar do deputado Homero Pereira, que se aposentou para tratar um câncer. À época, Moraes declarou que estava no limite e que havia esgotado as possibilidades de negociação, argumento também adotado pelo governo. No lugar dele, assumiu Rosa Neides Sandes de Almeida, que já havia ocupado o posto anteriormente. 
Mato Grosso tem 39 mil trabalhadores na educação em 738 escolas estaduais e cerca de 430 mil alunos. De acordo com o Sintep-MT, a greve chegou a atingir 90% das unidades escolares, mas com passar do tempo perdeu parte da adesão, que chegou a 53,94%, de acordo com dados do Sintep divulgados nesta quinta.

Volta às aulas

Segundo o presidente do Sintep-MT, Henrique Lopes do Nascimento, como a greve foi suspensa na tarde desta quinta-feira (17),  as aulas podem ser retomadas ainda nesta noite. Porém, considera pouco provável que isso aconteça.

"Boa parte dos que estão aqui [em Cuiabá] são do interior. Então, é bem possível que a maioria das escolas retorne à normalidade a partir de segunda-feira. Até porque as escolas terão que passar por limpeza, por adequações", justificou.


Carolina Holland Do G1 MT

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